Não foi um pesadelo visceral, mas um psicológico.
Sonhei que era um evento relacionado à formatura da minha primeira graduação. Não sei se já mencionei, mas tudo relacionado àquele curso me faz mal.
Então, lá estavam eles: os colegas da minha turma original. Eu nunca me senti tão excluíds e tão diminuída comparada com aqueles seres. Tanto é que não participei da formatura com eles, ainda que fosse ainda uma formatura falsa. Eu não suportava metade daquela turma.
Tentei. Juro. Tentei me enturmar. Tentei ser eu mesma. Mas tudo o que consegui foi ser motivo de piada e de olhos revirados. Ser genuína e, no caso, meio palhaça, só me fez ser vista como um ponto colorido saltitante com zero noção - e burra. Cara, isso era o que doía mais: eu era vista como alguém inferior. Em uma turma que colegas divulgavam as notas da turma em ordem decrescente de nota, mesmo quando o professor divulgava em ordem alfabética, acho que a índole das criaturas já era bem explícita.
Eu já vinha ferida da minha turma de colégio, que torcia o nariz para mim. A graduação piorou tudo. Por sorte, fui adotada pela turma do meu marido. E eles só me achavam esquisita e alguém que não queria muita coisa, já que eu era bem indisciplinada, mas, pelo menos, não tinha o estigma da burrice.
Dito isso, eu sonhei com aquelas pessoas que não eram legais. E foi um sonho dolorido, que eu só queria que terminasse. Havia pessoas da minha turma original que eram legais sim, mas a maioria foi saindo do curso, mudando de área, o que fortalecia a ideia dos escolhidos de que éramos inferiores.
Quando comecei a me sentir acuada e magoada no sonho, comecei a fazer o que faço de melhor nesses momentos: palha assada. Fiz algumas gracinhas que eu sei que são inconvenientes para a maioria, e que eu não fazia há anos, porque hoje eu entendo bem que é um mecanismo de defesa. E aí junta impulsividade desenfreada (será TDAH?)... Dá isso.
Metade das pessoas presentes, que não era da turma, começou a rir. Parte num sorriso nervoso, típico de quando o cérebro bugou e manda uma risada, parte num sorriso genuíno.
Nesse momento, uma pessoa aleatória perguntou a alguém: "Caraca, você é da turma da Clara", ao que este alguém respondeu: "Fomos colegas de classe por certo período, mas somente isso".
Foi meio agressivo, especialmente o fim.
Quando acordei, percebi que o colega de classe não era da 1a graduação, mas da segunda.