terça-feira, 25 de março de 2025

Pesadelo

Hoje eu tive um pesadelo.

Não foi um pesadelo visceral, mas um psicológico.

Sonhei que era um evento relacionado à formatura da minha primeira graduação. Não sei se já mencionei, mas tudo relacionado àquele curso me faz mal.

Então, lá estavam eles: os colegas da minha turma original. Eu nunca me senti tão excluíds e tão diminuída comparada com aqueles seres. Tanto é que não participei da formatura com eles, ainda que fosse ainda uma formatura falsa. Eu não suportava metade daquela turma.

Tentei. Juro. Tentei me enturmar. Tentei ser eu mesma. Mas tudo o que consegui foi ser motivo de piada e de olhos revirados. Ser genuína e, no caso, meio palhaça, só me fez ser vista como um ponto colorido saltitante com zero noção - e burra. Cara, isso era o que doía mais: eu era vista como alguém inferior. Em uma turma que colegas divulgavam as notas da turma em ordem decrescente de nota, mesmo quando o professor divulgava em ordem alfabética, acho que a índole das criaturas já era bem explícita.

Eu já vinha ferida da minha turma de colégio, que torcia o nariz para mim. A graduação piorou tudo. Por sorte, fui adotada pela turma do meu marido. E eles só me achavam esquisita e alguém que não queria muita coisa, já que eu era bem indisciplinada, mas, pelo menos, não tinha o estigma da burrice.

Dito isso, eu sonhei com aquelas pessoas que não eram legais. E foi um sonho dolorido, que eu só queria que terminasse. Havia pessoas da minha turma original que eram legais sim, mas a maioria foi saindo do curso, mudando de área, o que fortalecia a ideia dos escolhidos de que éramos inferiores.

Quando comecei a me sentir acuada e magoada no sonho, comecei a fazer o que faço de melhor nesses momentos: palha assada. Fiz algumas gracinhas que eu sei que são inconvenientes para a maioria, e que eu não fazia há anos, porque hoje eu entendo bem que é um mecanismo de defesa. E aí junta impulsividade desenfreada (será TDAH?)... Dá isso.

Metade das pessoas presentes, que não era da turma, começou a rir. Parte num sorriso nervoso, típico de quando o cérebro bugou e manda uma risada, parte num sorriso genuíno.

Nesse momento, uma pessoa aleatória perguntou a alguém: "Caraca, você é da turma da Clara", ao que este alguém respondeu: "Fomos colegas de classe por certo período, mas somente isso".

Foi meio agressivo, especialmente o fim.

Quando acordei, percebi que o colega de classe não era da 1a graduação, mas da segunda.

domingo, 23 de março de 2025

Influenciadora negativa

Boa madrugada, caros três seguidores! Aqui é a sua influenciadora digital negativa mais eficiente e participativa que vocês gostam, hahaha.

Graças a meu marido, que me alertou sobre o iminente colapso do meu computador e investiu metade do valor para a aquisição de Idrahala (sim, minha próxima máquina vai se chamar Idrahala e vocês podem ter uma vaga noção do que isso efetivamente significa), possivelmente vou passar o próximo final de semana fazendo algo que não faço há 15 anos: montar um desktop do zero.

Parte de mim está ansiosa, parte de mim está com medo, e parte de mim só quer saber se o Frank vai dar bom kkkkk. Oremos!

Eu tô rindo, mas de nervoso, mas not. Tô aqui largada na cama depois de tomar banho. Vocês já resolveram tomar banho porque vocês não lembravam se já tinham ido ou não, e aí quando a primeira gota de água caiu, você lembrou a resposta? Pois é. Foi assim.

E aí eu resolvi escrever pq ñ sirvo como influencer. Eu quis fazer um insta narrando as minhas não-vitórias, mas sou paranoica demais para postar fotos E vídeos E voz meus na interner, sabendo que hoje tudo é munição para golpe... eu sou realmente paranoica com isso... e pensem que fui vida loka até 2012, postando zilhões de fotos, até que resolvi ficar quieta e depois descobri minhas fotos vazadas. Ñ eram nudes. Eram fotos minhas, postadas só para amigos selecionados no face, que alguém salvou e postou para todos. Desde então, fiquei mais cricri ainda. Sou feliz de ter usado a internet antes da indexação pelo Google. Imagina se descobrissem meu Flogão/Fotolog de 20 anos atrás... embora eu adorasse resgatar o que eu escrevi naquela época bizarra. Eu sou da época que a internet era tudo mato.

Então voltei, porque pelo menos as palavras ninguém copia. Ou melhor, copia, mas vocês entenderam, né?

Uma das minhas metas de 2025 é fazer minha avaliação neuropsicológica. E a partir daí me tratar mais eficientemente.

Outra meta é fazer meus óculos intermediários porque é muito ruim para usar computador com óculos e precisar tirá-los para ler ou escrever.

Vocês sabem que eu tenho outra meta dura para 2025. Medo do baralho. E muito boicote. Preciso parar de boicotar. Mas eu ñ consigo ñ me boicotar. Enfim... vamos dormir que está tarde né?

Amanhã tem mais boicote.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025

Picareta

Sou uma fraude
e vítima fácil para golpes
Sou covarde
e uma locomotiva sem freios
Sou uma tese,
e antítese e discurso tresloucado
Sou trem descarrilado
Sou onda aprisionada
Sou caos desordenado
Sou gelo, água parada

Sou bloco, sou átomo,
Sou medo, sou ácido,
Sou mudo e imutável
Sou nada e tudo o que nada pode ser

domingo, 2 de fevereiro de 2025

Faz muito tempo

Faz muito tempo que não venho aqui. Não é que eu não precise, mas não estava achando tempo ou feeling.

Preciso achar a tomada do meu netbook para poder voltar a escrever mais vezes. No celular é meio incômodo sem teclado.

Mapeando as minhas necessidades consumistas atuais:
1) Preciso ir a Casa e Video comprar uma caixa nova para guardar os meus alicates e parafusos. A tampa da atual quebrou salvando a "panela" da minha nova Airfryer. Foi uma guerreira e valeu o sacrifício.

2) Um cartão de memória pro meu fone de ouvido.

3) Um cartão de memória pro meu tablet (que filhote usa)

4) Um pote com divisórias tipo o rosa que comprei nas Americanas

5) Um conjunto de forminhas de silicone para a lancheira de filhote. Vamos tentar diversificar mais os lanches este ano.

Deve ter alguma outra coisa, mas não lembro agora.

Hoje é domingo, dia internacional de planejar a segunda-feira que iniciará uma nova etapa das nossas vidas. Até falharmos. Hahaha.

domingo, 24 de novembro de 2024

Valor e necessidade

Existe uma ideia enraizada na nossa cultura de que alguém só tem valor enquanto ele é necessário em nossas vidas. Fulano faz isso, então é bom mantê-lo perto. Beltrano faz aquilo... e assim vamos vivendo nessa engenharia social em que mapeamos habilidades para manutenção de proximidade de ocasião.

Num segundo aspecto, isso faz com que muitos de nós tenham medo de deixar de ser necessário para alguém.

É uma ideia muito torta de que não somoa bons o suficiente para mantermos os outros por perto por nós mesmos, por sermos pessoas "gostáveis". Somos treinados a agradar aos outros para que sejamos "gostáveis". E para agradarmos muitas vezes nos submetemos a uma série de sacrifícios não exigidos para continuarmos sendo necessários na vida do outro.

E justamente porque muitas vezes esses sacrifícios nunca foram pedidos, os outros não dão valor, não percebem gentileza e muito menos demonstram um mínimo de gratidão ou consideração. Afinal, fizemos porque quisemos.

Somos criados para antecipar as necessidades alheias, mas isso não é uma tarefa.

segunda-feira, 28 de outubro de 2024

28.10.2024

"Adeus", disse sem dizer, com um aceno de cabeça.
Olhando-a partir, sentiu nada. Era nada.
Deixou-a seguir seu caminho, sem dor, sem apegos, sem retornos.

Aquilo que não lhe edificava não cabia no seu desconstruir.

Um passo para o lado

Faz tempo que não apareço aqui. Meus dias têm sido insanos, mas estamos lidando razoavelmente bem dentro do possível.

sábado, 7 de setembro de 2024

Um, dois elefantes

Hoje foi um dia pesado. Emocionalmente muito pesado.

Havia sido relativamente leve até 17 horas. Aí as coisas tomaram um rumo muito complicado. 

Meu irmão de coração está passando, há anos, por muitos e muitos problemas. E eu queria muito poder tirar os espinhos de cima dele para que ele pudesse se ver de verdade, mas infelizmente não é assim que funciona.

Não vou falar aqui o que se passa, porque são inúmeras questões de foro muito íntimo, mas eu só queria que ele soubesse que eu sei que ele será um pai fora de série, participativo, apoiador, louco, apaixonado, parceiro. E eu sei que será, independente de seu filho ser biologicamente seu ou de coração. E eu sei que um dia ele se sentirá assim completo. 

Eu sei que, no momento em que uma vida lá em cima for destinada a ele, ele e sua esposa (uma mulher mais do que incrível) serão capazes de quebrar uma sequência de traumas geracionais, que eles não irão reproduzir, porque eles são os melhores do mundo.

Eu sei que, um dia, eu os ouvirei chorando as pitangas da paternidade e da maternidade, exaustos, e vão passar por isso, e vão construir a família que eles não tiveram. Eu sei. Eu só sei. Não sei como ou quando, mas eles são good-parents-material, sabe? Ainda que se questionem, eles são soda limonada com xarope de framboesa.

Agora essa sonho parece quebrado ou estilhaçado, mas confiem: Ele será real. E vocês dois merecem ser felizes. Vocês todos são valiosos.

Enquanto esse meu amigo me falava, eu ouvi uma história de muita dor. Um dos melhores amigos da minha sobrinha, 10 anos, salvo engano, luta há 5 anos contra câncer. E foi vencendo todas as etapas. Ano passado, ele, filho único, perdeu o pai. Ataque cardíaco, fulminante. Ele continuou lutando, mas agora os médicos estão desacreditados. E, nesse momento, ele precisa de um milagre, de muita oração, de muita energia positiva. 

São histórias tão tristes e dolorosas, de pessoas que não merecem perder tudo.

Peço orações, fé, correntes positivas.

quinta-feira, 29 de agosto de 2024

Quebra de expectativas

Ao som de um barulho muito estranho que a barca está fazendo, comecei a escrever as linhas que vêm tomando meu pensamento há muito. Tentei escrever no papel, mas acabei me sentindo com medo de que alguém lesse. E então coloco num post público, hehehe. Faz sentido? Não faz. Mas faz.

Faz um mês hoje que eu fui submetida a uma apendicite de emergência. Estava no meio de um furacão de péssimas ideias, com pensamentos sobre findar minha própria vida. Acho que eu nunca teria coragem, porque eu já vi as consequências de tentativas ao meu redor. Quem fica sofre. Quem parte dificilmente encontrará a paz a que almeja. Mas eu pensei sim, e li a respeito do processo, e de como a gente começa a planejar resolver as pendências antes de partir. Cheguei a imaginar o modus operandi. E comecei a traçar meus planos para resolução das questões que julgava pendentes.

Na quinta-feira anterior, eu senti um enorme vazio na cabeça. Era como se todos os meus pensamentos tivessem se esvaziado, consumidos a si próprios até a sua conclusão.

Na sexta-feira anterior, dia do início da inflamação, havia gritado com todas as letras que não aguentava mais e que queria morrer. E eu queria. Queria ficar doente e partir. Ainda não sei se meu corpo deflagrou a doença a partir da dor, ou se já era a doença falando por mim.

Naquela sexta-feira, muita coisa aconteceu.

Os dois dias seguintes seguiram como se nada estivesse acontecendo. No sábado, havia um sol gostoso como se abraçasse. Filhote brincou, tentei ensinar a pular no pula-pula, mas não quis, pela n-ésima vez. Tomei uma água de coco. O final de semana foi de paz. Não houve festa no terreno da discórdia. Foi só silêncio e paz. Senti vontade de comer batata frita do Outback, então pedimos costela, batata e cebola. Definitivamente, eram excelentes opções para quem estava com infecção no apêndice. Domingo correu em paz também. E eu tomei sorvete e comi as sobras da costela, com pipoca e coca cola.

De domingo para segunda, filhote ficou mal, por conta de gases. Na segunda, acordei com uma leve dor no lado esquerdo. Achei que foi por conta da posição em que dormi, no tatame, ao lado da cama de filhote. Depois, levamos para a escola. Filhote protestou loucamente porque não queria entrar na escola - era o dia de retorno das aulas -, e eu o carreguei como um saco de batatas, com mochila e tudo, escola a dentro.

Ao voltar para casa, de carona com marido, que seguiu para o presencial, senti a dor se ampliar. Pareciam gases. Muitos gases. Doía muito na parte mais alta da barriga, do lado esquerdo. Nunca pensaria que era apendicite.

Resumindo a história, porque ela é longa, fui para o hospital achando que eram gases e querendo o remédio que me davam no tempo do colégio, que era tiro e queda. Fui achando que tomaria um remédio, de repente estava fazendo tumografia e exame de sangue, de repente estava internando, de repente era cirurgia... e até então estava serena, porque era algo simples e cotidiano na medicina. Eu só sentia gratidão por ter tido alguns sinais não relacionados à apendicite que me fizeram ir ao hospital.

Então, a anestesista me falou sobre a anestesia geral e que eu sentiria incômodo porque seria intubada. Foi aí que senti medo. Medo de não acordar. Intubação me fez pensar na pandemia, e o pânico apareceu pela primeira vez. Eu queria acordar. Eu queria abraçar meu filho.

Foi aí que girou uma chave na minha cabeça, que o psiquiatra decifrou: não é que eu queira morrer, eu só estou querendo parar de sofrer.

Ainda no mês de agosto, tivemos a devolutiva da análise neuropsicológica, e foi o cenário que a gente temia, mas já esperava: altas habilidades + risco para TEA.

Ambos têm fatores hereditários.

E aí, a segunda chave começou a abrir na minha cabeça.

Eu sempre soube que era acima da média. Eu não estudava, apenas lia em voz alta os capítulos da escola para minha mãe, até a 4a série. Depois disso, eu passei a ser responsável pelas minhas notas. Eu não fazia dever de casa. Eu relacionava tudo o que eu aprendia, em conexões que só fazem sentido pra mim. Matemática não era um conjunto de fórmulas... eu as deduzia cada vez que fazia uma questão. 

Minha criação foi muito restritiva. Meus pais não tinham dinheiro para atividades extracurriculares. Eu tive condições de fazer curso de inglês - e isso pesava muito já. Mas minha mãe não queria que eu fizesse nada além de estudar. Era uma coisa meio sem sentido, quando olho hoje. Ela estimulava o desenvolvimento das minhas habilidades, mas sempre foi num sentido autodidata. Ela viu que eu aprendi a costurar olhando ela: ganhei uma máquina de costura aos 12 anos. Eu tocava músicas de ouvido com auxilio de revista aos 10 anos: ganhei um teclado caríssimo. Mas eu não podia fazer aulas, ou qualquer coisa que atrapalhasse meus estudos.

Namorar era uma das coisas proibidas: somente depois que eu entrasse na faculdade. E foi assim que eu achei erradamente que a faculdade me daria um salvo conduto.

Hoje é muito claro que meu erro foi não saber que poderia ter um trabalho e ser concursada com ensino médio. Meu tio, o único concurseiro da família, era um péssimo exemplar do indivíduo que estava eternamente fazendo prova... sem estudar.

Escolhi engenharia pela ideia errada. Queria estudar no IME, para ser militar. Engenharia foi consequência. Eu não tenho aptidões físicas, então era o único caminho que fazia sentido na minha cabeça. Eu teria um trabalho, garantido, e nas horas vagas seguiria com a minha vida.

Mas a faculdade foi muito cruel. Seja porque eu tinha 16 anos e zero maturidade quando entrei, seja porque deu sorte e entrei numa das turmas mais odiosas da minha vida (sério, que safra azeda a minha)... e a tão sonhada liberdade de agir também foi comprometida. O ápice foi minha mãe vetar a iniciação científica que eu tinha conseguido apesar do meu CR lamentável. Depois quem assumiu esse papel de vigilante foi meu irmão. 

Tive pouquíssimos amigos na pequena infância. Lembro somente dos episódios de bullying - eu me recordo deles a partir dos 5 anos, idade em que fui adiantada e mudei de turma. Tinha completa inaptidão física, coisa que minha mãe nunca ligou muito. E inaptidão física quando se é criança é porta para isolamento.

(Um parênteses: minha inaptidão física só virou objeto de interesse quando minha mãe descobriu que eu me afogava numa piscina infantil no colégio. Aí minhas férias do primeiro pro segundo ano do ensino médio foram acordando 4:30 da manhã para fazer natação longe às 6 da manhã. Resultado: piores férias da minha vida)

Ser a primeira aluna me definia. Era o que eu fazia para ser aceita pelo menos para os meus pais e professores.

Quando entrei no ensino médio e fui para o meu Colégio, um mundo se abriu. De repente, eu me vi inserida num universo com jornais de colégio, com grêmio estudantil, com concursos literários, com elocuçào e tantas outras atividades extras... Minha primeira tentativa foi o coral, mas com a insistência da minha mãe que eu não poderia diminuir minhas notas, nem chegar tarde em casa. Enfim, na primeira apresentação, tomamos esporro por 3 horas e, ao chegar em casa, mais esporro. Foi assim que eu desisti do coral e comecei a fazer todas as outras atividades escondida.

Vivi essa vida dupla por 3 anos. Fui intensamente feliz e dramática como toda adolescente. Não tive sorte no âmbito amoroso nos tempos de colégio.

Minha vida era boba e dramática, e complicada, mas era minha. Até a metade do terceiro ano, em que passei a ser cobrada como nunca. Eu não lido bem com cobranças. Eu preciso de autonomia, porque eu sou naturalmente a pessoa que mais me cobro no planeta. E quando me prensam na parede, minha resposta é o extremo oposto.

Na faculdade, comecei a me culpar pela maneira como levei me ensino médio, me botando de volta naquela bolha, mas eu fui ficando cada vez mais infeliz, porque eu não era uma boa aluna de engenharia. Eu odiava tudo aquilo. Eu me odiava também. 

Dei sorte de conhecer meu marido logo no início do curso e brinco que conhecê-lo (e a minha amiga J.) foram as únicas coisas boas daquele curso.

A gente se segurou para terminar.

Nas minhas crises da vida adulta, sempre eram disparadas pelo desejo de voltar ao meu coração dos tempos de colégio: livre, engajado, motivado.

Eu sei que não dá pra voltar no tempo. Também não culpo minha mãe pela forma que me criou. Ela fez o melhor que podia, especialmente diante de uma cadeia de traumas que foi a vida dela. Ela queria que eu tivesse independência financeira.

Só que hoje eu não consigo mais ser contida, sabe? Ser vigiada, ser pressionada. Finalmente entendi porque o meu marido foi a melhor pessoa pra mim: ele nunca me pressionou, ele sempre me deixou solta, e tudo o que diz respeito a nós sempre foi conversado.

Eu me sinto asfixiada às vezes.

Cara, eu resumi tanto, mas tanto os pensamentos aqui nesse texto, porque é muita coisa...

Com as avaliações e as condições de filhote, algumas memórias minhas começaram a ser desbloqueadas. Eu fico mal, porque estou revisitando pontos de dor que eu espero que filhote não precise passar.

Eu fui uma criança com altas habilidades também, tolhida, insegura, buscando aceitação o tempo todo e me sentindo inconveniente durante a vida inteira. Eu fui uma criança com altas habilidades que não desenvolveu 1/4 das minhas capacidades. Eu sou uma mulher de saúde mental frágil, que se pune por sair dos planejamentos, por pensar diferente, por ter um ponto de vista só meu.

Como parte do meu processo de cura, eu vou fazer minha propria avaliação, para ter um laudo, para ter um pedaço de papel que me liberte e que me faça parar de sentir obrigação de me desculpar com o mundo.

Somente depois disso, vou poder buscar o apoio mais indicado para mim.

Mas não vou ficar desamparada até lá.

sexta-feira, 23 de agosto de 2024

Estamos a 0 dias sem surtar

 Estou devendo escrever aqui, porque houve uma avalanche de coisas acontecendo na minha vida. Mas eu vou voltar. Prometo.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

Dia 8 nº 5897

Para quem não entende a referência, eu tenho um número aleatório para usar quando quero dizer que já tentei muitas vezes. Ah, já foram 5893 vezes. Número específico? Sim. Ironicamente, resolvi entrar na dieta/reeducação alimentar/exercícios físicos pela 5893ª vez em 2021. Daí, toda vez que canto aquela musiquinha "teeeeeente outra veeeeeez", eu incremento um ponto.

Daí, sim, hoje é o dia 8 nº 5897.

Apesar do caos, este campo em específico está fluindo. Mas, por enquanto, somente porque eu consegui montar cardápio e lista de compras com antecedência. Se eu faço compras sem saber o que vou fazer ou usar, SEMPRE dá B.O., porque eu compro coisas que não uso, não compro o que preciso e, no final, boicote.

De alegrias, baixei 1,2kg desde o início da nova jornada, que foi parcialmente boicotada por viroses, cansaços, atendimentos bancários de 4 horas e desânimo. Mas, bebe a caneca de café e reage.

Eu ia postar terça, mas foi corrido demais. Não imaginava que quarta conseguiria ser pior. Mas cá estamos nós, nesta quinta-feira nublada, comemorando uma vitória parcial.

Hoje é meu dia presencial. Antes de sair de casa, encarei lavar dois maços de alface, lavar e picar 9 folhas de couve, montar minha salada e da babá (marido não encara saladas), e deixar mais ou menos encaminhado o roteiro do dia pro marido.

Hoje também é o terceiro dia da avaliação de filhote, então é mais um dia corrido e seguimos o baile.

Por sinal, ontem aconteceu algo curioso: eu dormi. Hahaha, eu dormi por 3 horas ao lado de filhote, enquanto tentava fazer a cria dormir. Acordei meia noite. Podia comer algo, mas preferi ir para a cama. Obviamente, não consegui dormir de novo, seja por coceiras (eu tenho coceiras estranhas por qualquer coisa), por falta de sono, sei lá. Quando deu uma da manhã, resolvi tomar um banho. Nessa hora filhote acordou de novo, mas foi só o pit stop e voltou a dormir. Aí sim, apaguei de vez.

Seguimos o baile.

sexta-feira, 21 de junho de 2024

Dia 3 n° 5897

Hoje tinha reunião de manhã, então como precisava ficar acordada e as lesões da pele já secaram, tirei 50 minutos do dia para caminhar ao ar livre. Não arrisco ainda ir à academia, já que seria um ambiente fechado e com contato com equipamentos, etc.
Vamos ver se amanhã consigo andar um pouquinho mais.
Senti que esse tempo parada e o sobrepeso pesaram muito. Parei quando comecei a sentir dor, pois não queria forçar e acabar machucando. Melhor ir devagar e sempre.
Quanto às refeições, não registrei todas. O pão de queijo era do meu filho. Fiquei só com o mate sem açúcar. Não vejo a hora de resetar o paladar, porque tá osso o amargor.
De resto, seguimos o baile.

Ontem e hoje estava estressada porque deixei todas as atividades do módulo 1 da pós acumularem. Fiz todas as tarefas, menos a última. Por algum motivo, todo o material de apoio está indisponível, então literalmente tive de procurar os artigos possíveis. Foi tenso, mas foi.
Por razões de foro íntimo, eu me desiludi demais com a temática da pós, então não estava com forças para seguir. Mas como eu não tenho o $$ para pagar no caso da reprovação, voltei. Próximo módulo estarei mais disciplinada, até porque a motivação voltou em parte.

Amanhã espero retomar os estudos, que ficaram paralisados enquanto filhote e eu tivemos essa virose estranha.

Ontem me comprei um buquê de girassois e hoje comprei um vaso para colocar flores. Lamentável o fato de que eu, com quase 11 anos de casada, nunca tive um vaso. Não é o mais bonito de todos, mas atende.

De mais a mais, seguimos. Boa noite! Cruj cruj cruj, tchau!

segunda-feira, 17 de junho de 2024

Pavor de montanha russa

Quando fiz minha primeira lista 101/1001, lá em 2006, um dos itens era justamente: andar numa montanha russa. Eu já tinha ido numa volta num parquinho tipo Playcenter no aniversário do meu amigo Fabber, em 2001 (tem tempo né?), com um loop, mas não contava porque eu achava que montanha russa tinha de ser algo mais sofisticado.

Gente, eu tenho pânico de altura. Vocês acham que seria um boa ideia ir a uma montanha russa?

Em 2015, eu fui na Euro Disney e encarei. O veredicto: eu tenho pavor de montanha russa.

E faz todo o sentido do mundo. Eu detesto os altos e baixos da vida como um todo. Eu detesto falta de previsibilidade. Eu detesto não ter controle sobre as coisas. Não a toa, minha primeira profissão foi o quê? A garota das asas, né?

Faz quase 1 mês que não posto. Não, não tô fazendo nada do Desafio de 90 dias da escola das escritoras. Não consigo me concentrar na pós. E estou aqui, postando no blog em vez de estar fazendo algo sério (ok, vou fazer algo sério e já volto).

Faz pouco mais de um mês que resolvi parar de decidir que preciso fazer as coisas e falar que vou fazer as coisas, para tentar efetivamente fazer as coisas, quietinha no meu canto.

Só que a montanha russa é uma titica, né?

Era para eu ter voado baixo na semana passada, mas filhote adoeceu e eu fiquei dois dias praticamente insones, e mal ainda depois. Hoje eu ia sair pra caminhar e arrumar umas coisas e capotei na cama, porque... a pereba de minha criança passou pra mim e estou com a mão esquerda possivelmente contaminante, além de dolorida. Felizmente, é leve. Mas, pensa num desânimo.

Ainda preciso largar tudo e fazer o bolo da criança que resolveu que não gosta mais de leite (a mamadeira foi uma experiência muito ruim enquanto o céu da boca estava machucado) e ele comeu um bolo inteiro de sábado pra hoje. E ainda estou aprendendo a lidar com isso.

Maaaaas, como tudo tem um lado positivo, faz 4 noites que ele dormiu. DORMIU. Estou emocionada. Fazia 3 anos e meio quase que eu não dormia. E agora vejo uma luz no final do túnel. E isso pode ser finalmente o que falta para conseguirmos o desfralde. Tenho fé.

Enfim, estou tentando ficar mais na minha, porque quando jogo meus planos pro vento, parece que estou sendo boicotada. Como se o Gabriel Agreste virasse pra mim segurando meu amok e dissesse "Nããããão!".

Apesar de tudo, estou relativamente bem com tudo. Um pouco frustrada, mas treinando a resiliência, que é o que resta mesmo.

Ainda, passei por uns pensamentos muito fortes sobre amizade. Quem me conhece sabe que eu tenho um problema muito sério com amigos. Eu os amo, e os afasto na mesma proporção. Parte de mim está entendendo o processo, e é bem egoísta, por sinal. Tenho medo.

Vou me afastando quando os nossos interesses mudam e eu não consigo me adaptar para fazer parte do mundo novo. Vou me afastando quando sinto que só conseguimos conversar sobre as coisas sérias ou as coisas do passado. Vou me afastando quando sinto que não sou importante o suficiente. Ao mesmo tempo, eu continuo circundando, porque não quero me afastar. E aí, cara, é uma dualidade tão complicada... Mas a maior parte dela só mora na minha cabeça.

Percebo que perdi muitos momentos importantes da vida de pessoas que eu admiro e de que gosto muito. Quando vejo em retrospecto, sempre penso que gostaria de ter estado ali, quando não estive. Entendo que o afastamento também é natural, mas, enfim, às vezes eu gostaria de conseguir fazer um esforço a mais. Só que quando faço esse esforço a mais, é  um esforço tão grande pra mim, que eu acabo ficando zangada com a situação. Ou seja, eu crio um problema na minha cabeça, eu tento resolver o problema na minha cabeça me forçando a fazer algo com o que não me sinto confortável e depois eu fico zangada com os outros por um problema que só existe no fantástico mundo de Clara.

Queria realmente ser clara para mim na hora em que vivo as coisas, e não ruminando depois. Mas, como digo sempre, meu nome não é Clara.

Tô precisando investir em alguns projetos solo. Tô precisando me encontrar, que nem o Ás de Copas. Mas também preciso parar de usar 40 horas por semana do meu telefone com rede social. Ok, dessas, 10 horas são lendo fanfic, rsrs. Preciso sair desse mundo virtual.

Preciso viver o mundo real também. Já falei mais de 500 mil vezes isso, mas preciso de gente, não de tela. Só não consigo ainda alinhar os planetas para conseguir encontrar com gente. Mas uma coisa de cada vez.

sábado, 18 de maio de 2024

4 estradas

4 estradas saem de Idrahala.
Uma ao norte, outra ao sul, uma ao leste, outra ao oeste.
A ilha octogonal.

90 dias

Dia 21, começa um projeto de 90 dias da Escola de Escritoras.
É um projeto em que, em tese, você conseguiria escrever o seu livro estagnado, se seguir os 90 dias de desafio.
Sou movida a desafios, então penso que pode me fazer bem, desde que eu não me cobre demais.
Estou com uma ideia específica para este projeto. Ao final, espero escrever um livro chamado "90 dias" (criativo? Hahaha).
Você quer acompanhar? Se sim, se você sabe o meu nome que não é Clara, entra em contato comigo, mencionando o post. Se você só me conhece por aqui, comenta com alguma forma de contato.
Em 90 dias, espero encontrar a chave que abre essa prisão. 

Dia -2

Alguns acontecimentos recentes balançaram meus shakras.

Mas, hoje, hoje não quero falar sobre isso.

Hoje, agora, quero falar sobre as rosas. Muito se fala delas, flores perfumadas e complexas, que se protegem com espinhos. A elas, todas, atribuem-se significados: amor, paixão, amizade, luto... E estão sempre presentes nos contos de fadas: a rosa que o comerciante levou para sua filha; a rosa selvagem em que foi disfarçada a Aurora... e tantas outras rosas, discretas ou não, foram retratadas.
Fazem-nos acreditar que devemos ser como as rosas: eternas, misteriosas, elegantes do botão à última pétala caída. E envoltas em espinhos para que nos protejamos do mundo externo, da perversão dos homens... e com eles também nos ferimos, porque quem há de nos proteger de nós mesmas?
Eu, nesse momento, sinto-me como uma rosa aprisionada, que é consolada. Mas tudo o que eu queria era que entendessem que ficar de pé é um ato de rebeldia. Que ser rosa não é o que define. Estou rosa.
Mas, um dia, ah, um dia, torço para me tornar minha verdadeira vocação: um desengonçado e alegre girassol, que pouco dura, mas sabe ser sol quando o dia se nubla.

quinta-feira, 9 de maio de 2024

Dia 4

Hoje está sendo um dia de montanha russa. Existe uma satisfação muito grande porque as coisas estão fluindo.
Existe uma sensação muito forte de que sou o pior tipo de amigo que alguém pode ter.
Não sei o que fazer para consertar as coisas.
Não sei se consigo consertar alguma coisa.
Às vezes eu sinto que só sei destruir os outros.
Eu não sou uma boa amiga. Ou melhor, eu não sei ser a amiga que os outros precisam.

Li umas paradas sodas hoje.

É, acho que equilíbrio é tudo mesmo. Sempre que um lado da vida melhora, outro degrada.

quarta-feira, 8 de maio de 2024

Dia 3

Estamos começando o terceiro dia.
3 dias com frutas.
3 dias de comida de verdade.
Espero conseguir.

Demonstrações de afeto

Cada pessoa tem uma maneira de demonstrar afeto. Algumas são mais físicas, com abraços, beijos e toques. Algumas são com presentes, mimos que traduzem "lembrei de você". Algumas são com palavras, faladas ou escritas. Algumas são com comidas, sobremesas ou principais. Algumas com preocupação. 
E cada pessoa tem uma expectativa de afeto diferente. Normalmente as pessoas físicas querem afetos físicos, e por aí vai.
Hoje me peguei pensando em como essas diferentes maneiras de demonstrar afeto acabam gerando conflitos, e a nossa incapacidade de se comunicar, notadamente nos dias atuais, acaba piorando e se tornando um problema.
Pessoas que não são físicas muitas vezes têm nervoso de serem tocadas. Pessoas que são mais artesanais se sentem desvalorizadas com coisas feitas em massa e sem zelo...
Meu pai, por exemplo, nunca foi uma pessoa de demonstrar afeto fisicamente ou com palavras. Ele demonstrava o afeto dele com cuidados, com mimos, com café de noite, com maçãs e copos de suco de uva.
Um dia eu havia preparado uma mega salada de almoço para mim, e pedi para ele guardar na geladeira do trabalho dele (eu estudava perto do trabalho dele). Ele ficou ocupado e quando era umas 15 ou 16 horas, ele voltou pra sala dele e me encontrou do lado de fora, porque eu havia esquecido a chave dele, e por isso não almocei. Ele abriu a porta, e na frente de outra pessoa me disse: "Você é burra, é?". Naquele dia eu chorei muito e respondi: "Eu cometi um erro, mas você não pode me chamar de burra na frente de alguém que nem conheço". Meu pai estava muito preocupado, e foi o jeito dele demonstrar isso. Hoje eu sei. Mas ele não sabia que eu era chamada de burra na faculdade várias vezes, e que me chamar de burra ali foi a pá de cal no meu emocional que já estava um caco. Ele não sabia porque a minha maneira de demonstrar afeto era resolvendo meus problemas sozinha.
Minha mãe não é uma pessoa física e nem de palavras. Eu acho que nunca ouvi ou vou ouvir um "eu te amo" da minha mãe. Ela, criada em escola de freiras, me dizia "amar, somente a Deus". Para ela, dizer que gosta de alguém já é muito difícil.
Eu sou uma pessoa que já fui mais física. Meus abraços eram constantes e intensos. Mas eram muito abertos, e eu fui me fechando com o tempo, com as feridas, com as decepções. Hoje eu abraço muito pouco. E, se eu abraçar alguém, é porque eu confio muito nessa pessoa. Nem sempre estou bem para abraçar. É muito, muito difícil pra mim. E olha que costumavam dizer que eu tinha um abraço muito bom...
Eu já fui mais física. Quando criança, gostava de beijar o rosto. Até que morei no exterior e acham essa prática tão comum na América Latina como algo grosso ou nojento. Eeeeeww, you're sooo nasty...
Então, somos moldados pelos nossos traumas e feridas.
Eu já fui mais expressiva, já fui muito romântica. Hoje, guardo essa energia quando estou inspirada para escrever contos.
Minha cabeça é aleatória. Minha linha de raciocínio é torta. Minha capacidade de argumentação é tudo, menos direta. É cheia de metáforas, silepses, hipérboles e caos. Ainda assim, como minha memória de elefante é relacional, faz sentido, mas só na minha cabeça. 
E eu convivo principalmente com pessoas literais. Minha mãe é literal. Meu marido é literal. Aparentemente filhote é literal. E pra mim é MUITO, MUITO difícil ser literal.
Então, veja, as minhas principais interações são difíceis, demandam energia e trabalho.
Você que leu até aqui percebe que eu ainda não cheguei ao ponto, né? Eu comecei com uma apresentação do tema, que foi até razoavelmente direta, depois exemplifiquei, depois reexemplifiquei, depois acrescentei um primeiro argumento para construir a primeira discussão.
Contexto, para mim, é muito necessário. E eu confesso que não gosto da maneira como proseamos hoje em dia, via mensagem de texto, porque faltam aquelas social cues que só pescamos enquanto observamos o interlocutor. Além disso, as conversas assíncronas são piores, porque elas são em momentos distintos.
Mas, voltando, estamos falando sobre afeto.
Meu pai nunca esqueceu uma data especial. Na véspera do aniversário de noivado, de casamento, do dia dos namorados ou do aniversário de minha mãe, ele olhava para mim e falava "Amanhã é dia de apanhar na bunda!", se ele esquecesse. Ele nunca esqueceu. Ele sempre comprou um buquê de rosas vermelhas. No último dia dos namorados, ele não conseguiu um buquê, então comprou 12 rosas individuais. Um rim. Ele não se importava. No último aniversário da minha mãe, eu impedi que ele comprasse, porque queria comprar uma rosa para cada ano de vida. Eu impedi que ele desse o último presente para ela, e isso me consomw às vezes.
Quando ele faleceu, eu prometi que manteria as flores. Tirando o período da pandemia, eu nunca deixei passar em branco, ainda que só me dê conta da data às 19 horas.
Meu pai me ensinou a demonstrar o afeto mostrando que se lembrou da gente.
Mas com facebook e afins, a gente foi se acostumando a não lembrar naturalmente dos dias. Eu perdi o hábito de mandar parabéns, mas me esforço. 
Minha mãe, por outro lado, demonstra afeto com comida. Ela faz o prato que a gente mais gosta, ou me liga quando fez algo que ela sabe que eu gosto.
Eu aprendi com ela a fazer um bolo de lembrança, um brigadeiro de panela quando as coisas estão ruins.
Mas como eu demonstro afeto?
Parei para pensar em como Eu, não Clara, demonstro afeto.
E me dei conta hoje que eu demonstro afeto resolvendo problemas. A minha vida pessoal e a profissional me levaram a um posicionamento muito prático (e não natural) da vida. Eu penso. E eu penso tanto que meu cérebro ta exausto. A carga mental de quem toma a frente de quase tudo é esgotante e invisível. Então, se na minha vida alguém pudesse me dar um presente, eu realmente queria que fosse uma solução. 
Por isso, minha maneira de demonstrar afeto é ouvir e tentar achar algo que possa fazer para diminuir a angústia. Então, eu vou achar aquela revista publicada em 1980 no Mercado Livre. Eu vou achar a peça de reposição do seu aparelho. Eu vou ajudar a contestar uma conta que veio errada. Eu vou passar os dados de contato do órgão público que é responsável para resolver algum dos seus problemas.
Essa é minha maneira de demonstração de afeto.
Então, quando filhote batia a cabeça na lateral da cama, eu construí uma barreira física de costura, por exemplo.
Eu vou demonstrar meu afeto fazendo uma festa surpresa para você, mas eu talvez não consiga ficar na sua festa, porque interagir com mais de 3 pessoas já me esgota.
Só que as pessoas têm expectativas diferentes. Você quer consolo, eu ofereço trabalho. Eu quero silêncio, você me oferece abraço. E isso vai gerando pequenos conflitos que se ampliam.
Com meu marido, que é literal e não interpreta linguagem corporal ou dicas sociais, faz anos que combinei uma tática que funciona muito bem entre a gente. Antes de começar a conversa, eu explico o que eu quero.
Exemplo: "Sobre aquele assunto, eu sei que não tem muita solução e eu vou ficar chateada, não é culpa sua, você não contribui para isso. Eu só quero organizar as ideias" e a gente conversa.
Com ele, preciso sempre explicar que não estou chateada com ele primeiro (a não ser que esteja, obviamente), porque isso já tira a ansiedade inata de achar que ele contribuiu. E, como eu disse, eu não consigo falar de maneira direta. Eu dou voltas e voltas e voltas até tangenciar a questão. Não é de propósito, é como meu cérebro funciona. Por isso e outras coisas, sexta-feira finalmente é minha consulta com a psiquiatra.
Hoje conversando com um dos meus melhores amigos, propus o mesmo mecanismo. Antes de começarmos qualquer conversa séria, explicar o que quer e o que não quer.
Justamente porque que não sou uma pessoa física. E eu sou uma pessoa que se frustra muito com impotência. Ouvir um relato de uma pessoa importante e não poder fazer nada pela pessoa me consome. Bate muito mal. Impotência é a principal causa de frustração pra mim. E eu reajo à frustração com violência. Não é saudável, eu NÃO sei agir de outra forma. Eu vou te chamar de burro porque você esqueceu a chave porque eu estou preocupada porque você não almoçou.
Estou fazendo terapia. Nem sempre acho que me ajuda. Mas quando eu me vejo diante dessas situações, algumas coisas estão ficando menos nebulosas para mim.
Então, veja bem, eu não vou prometer que não vou magoar você ou que não irei ser ríspida. Eu não sei, neste momento, agir diferente. Mas estou aberta a tentar aprender a lidar de forma diferente.
Eu nunca vou prometer algo que eu não vá me ferrar para cumprir (exceto quando prometi ao meu pai, no leito do hospital, que eu usaria chinelo em casa. Eu não consigo). Então quando eu prometo algo, é sempre como um fardo.
Quando eu marco algo, a ansiedade me atrapalha demais, as expectativas são altas e eu me frustro. E a minha frustração é ruim.
Eu não vou prometer melhorar, mas eu vou fazer o possível. Eu VOU errar. Eu vou pisar na bola, mas eu quero que você entenda que isso diz mais sobre mim do que sobre você. Não é pessoal. Eu não quero magoar e o problema não é você. Mas eu sou imatura. Estou trabalhando isso, mas não posso prometer que não irei repetir.
E também estou tentando me concientizar de que a rejeição fala muito mais sobre mim do que dos outros. Se eu me sinto rejeitada, não quer dizer que efetivamente fui, mas eu internalizei aquilo como uma rejeição. E quem tem o poder de mudar isso não é o outro, mas sim eu.
Compliquei né?
Se você precisa de um abraço, me diga bem alto e claro que você precisa de um abraço. Entenda que eu não vou fazer isso naturalmente, porque não é assim que eu reajo. Mas, se isso não for me agredir (porque há dias em que agir fisicamente, pra mim, é quase como um agressão), eu vou te dar o abraço. Mas seja claro.
Se você quer silêncio ou um boost de autoestima, me diga, porque eu não tenho filtro naturalmente.
Penso que, se cada um de nós for capaz de identificar o protocolo antes de começar a interação, a tendência é que o conflito e as violações sejam mínimos. Pense que, quando um computador manda uma mensagem para outro, a primeira parte da mensagem sempre indica o tipo de mensagem, para quem se destina, de onde partiu, e só então começam os comandos, por assim dizer.
E eu já nem lembro mais qual era o tópico central daqui.

terça-feira, 7 de maio de 2024

Dia 2

Hoje é o dia 2 da nova fase. Consegui dormir feito uma pedra. Acho que ainda rola uma preguicinha agora, para terminar de energizar o corpo.
Estou bem.
Minha cabeça está em paz.
Ontem recebi um presente que quero guardar. Fazia muito tempo que não me sentia tão acolhida.